A expansão da igreja e as heresias

 

A EXPANSÃO DA IGREJA E AS HERESIAS

O crescimento e a expansão da Igreja foram a causa da organização e da disciplina. A perseguição aproximou as Igrejas e exerceu influência para que elas se unissem e se organizassem. O aparecimento das heresias impôs, também, a necessidade de se estabelecerem alguns artigos de fé, e, com eles, algumas autoridades para executá-las.

Outra característica que distingue esse período é sem dúvida, o desenvolvimento da doutrina. Na era apostólica a fé era do coração, uma entrega pessoal a vontade de Cristo. Entretanto no período que agora focalizamos, a fé gradativamente passara a ser mental, era uma fé do intelecto, fé que acreditava em um sistema rigoroso e inflexível de doutrinas. O credo Apostólico, a mais antiga e mais simples declaração da crença cristã, foi escrito durante esse período.

Nesta época surgiram três escolas teológicas. Uma em Alexandria, outra na Ásia Menor e outra na África. Os maiores vultos da história do Cristianismo passaram por essas escolas: Orígenes, Tertuliano e Cipriano.

Juntamente com o desenvolvimento da doutrina teológica, desenvolviam-se também as seitas, ou como lhes chamavam as heresias na igreja cristã. Os cristãos não só lutavam contra as perseguições, mas contra as heresias e doutrinas corrompidas.

Os Gnósticos Do grego "Gnósis = Sabedoria, Conhecimento"

Acreditavam que Deus Supremo é espírito absoluto e causa de todo bem, enquanto a matéria é completamente má criada por um ser inferior que é Jeová. O propósito é então escapar deste corpo que aprisiona o espírito. Afim de chegar a libertação, é necessário que venha um mensageiro do reino espiritual. Cristo. Cristo portanto não era matéria, possuía somente a natureza divina.

Os Ebionitas

Do hebraico que significa "Pobre" eram judeus-cristãos que insistiam na observância da lei e dos costumes judaicos. Rejeitavam as cartas escritas por Paulo. Eram considerados como apostatas pelo Judeus não convertidos.

Os Maniqueus

De origem persa, foram chamados por esse nome, em razão de seu fundador Ter o nome de Mani. Acreditavam que o universo compõe-se do reino das trevas e da luz e ambos lutam pelo domínio do homem. Rejeitavam a Jesus, porém criam em um "Cristo celestial".

Marcion

Nativo de Porto, foi a Roma perto de 138 e se tornou membro da Igreja de Roma. Não conseguiu leva a igreja a aceitar seu ponto de vista, assim que organizou os seus    seguidores numa igreja cismática e expandiu a obra até ter congregações em quase todas    as províncias. Embora talvez não seja correto chamar Marcion de gnóstico, ele    compartilhou vários de seus pontos de vista: judaísmo é mau. Jeová não é o mesmo    Deus do NT. Baseou-se quase que exclusivamente em Paulo. Contrastou a imoralidade e   crueldade do AT., com a espiritualidade, misericórdia, bondade e alta moral do NT.              

Embora conceba o nascimento, vida e morte de Jesus como apenas aparente, Marcion     insiste na obra redentora de Cristo como necessária para a salvação dos homens. O   marcionismo achou fácil aceitação na Mesopotâmia e na Pérsia e sobreviveu lá durante    alguns séculos.

Montanismo

É uma reação às inovações que foram introduzidas nas igrejas pelo gnosticismo e     paganismo em geral às custas da fé e da moral. Foi organizado na Frígia entre 135 e 160   por Montano com Priscila e Maximinia (profetizas do movimento) em resposta a uma iluminação do Paracletos, para proclamar o estabelecimento do reino de Cristo e pregar    contra o mundanismo das igrejas. Algumas das doutrinas desenvolvidas ( e pelas quais   foram rejeitados) tornaram-se ensino básico da Igreja católica 2 séculos depois: exaltação   da castidade e viuvez; divisão dos pecados em mortal e venial, exaltação do martírio.

Tornou-se o precursor do cristianismo ascético. Suas doutrinas em geral eram as mesmas   do cristianismo católico. Reivindicaram ter recebido revelações divinas enquanto em    estado de êxtase. O espírito lhes dava a interpretação ascética de certas passagens bíblicas. O montanismo é uma explosão de profetismo, dando importância especial a visões e revelações. Tem caráter essencialmente escatológico. Para eles o período do  Parácletos (Espírito Santo) se iniciou com Montano. A nova Jerusalém será inaugurada   para o reino de 1.000 anos. Assim que é necessário viver em continência e prepara-se    para tanto. Nenhum dos que escreveram contra o montanismo vê neles uma heresia. Ao contrário vê nele "tendências arcaicas"

O Novacionismo

Foi o montanismo reaparecendo numa outra época, sem as reivindicações proféticas que   desapareceram. Novaciano foi condenado em 251 por um concílio romano que reunia 60 bispos. Após a perseguição de Décio, quando muitos negaram a fé, Novaciano    liderou os que queriam muito rigor para os que cairam. Este movimento cismático encontrou muita recepção na África e na Ásia Menor, onde absorveu o que restou dos   montanistas. Sua doutrina era igual à das igrejas católicas. Foi apenas a questão de   disciplina que questionavam: condições para ser membro da igreja e perdão de certos    pecados específicos. Enquanto Cipriano admitia a reconciliação dos caídos "após uma    penitência severa e prolongada: . Novaciano considerava que "reconciliação alguma lhe pode ser concedida" Para Novaciano a igreja se identificava com um pequeno grupo de espirituais que estava em conflito obrigatório com a cidade terrena. Crendo que as igrejas católicas eram apóstatas, os novacianos rejeitaram as ordenanças delas. A crença na regeneração batismal era quase universal nesta época. Os novacianos deram tanta importância à necessidade do batismo ser ministrado por pessoa devidamente qualificada que rebatizavam os que vieram das igrejas católicas.

Os Donatistas

Como os montanistas e novacionistas, estavam preocupados principalmente com questões de disciplina. O movimento surgiu após a perseguição de Diocleciano e especificamente em relação ao que entregaram as Escrituras as autoridades. Os donatistas insistiram numa disciplina eclesiástica rigorosa e numa membresia pura.

Rejeitaram ministros indignos (os "lapsi"traidores). O donatismo não trata dos caídos em geral e sim apenas da sorte dos bispos que teriam consentido na entrega das Escrituras imposta pelo primeiro edito de Dioclesiano. O simples fato de estar em comunhão com um dos culpados bastava para contrair mancha e tornar-se traídos, apóstata. Todos os sacramentos administrados ou recebido pelos "tradutores"eram considerados nulos. Quanto a regeneração batismal, foram além dos católicos, crendo que a natureza humana de Cristo também precisava ser purificada pelo batismo. Naturalmente rebatizaram os católicos que vieram a eles como condição de comunhão.

 

Pr. Adélcio Ferreira

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