Afinal: Jesus bebeu ou não o vinagre lhe oferecido

 

Afinal: Jesus rejeitou, ou bebeu vinagre.

Vamos aos textos:

1 -Mateus 27

33 E, chegando ao lugar chamado Gólgota, que se diz: Lugar da Caveira,

34 Deram-lhe a beber vinagre misturado com fel; mas ele, (provando-o, não quis beber).

35 E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sortes, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançaram sortes.

2 -Marcos 15

22 E levaram-no ao lugar do Gólgota, que se traduz por lugar da Caveira.

23 E deram-lhe a beber vinho com mirra, (mas ele não o tomou).

24 E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sobre elas sortes, para saber o que cada um levaria.

25 E era a hora terceira, e o crucificaram.

3 -Jo 19:28-30

Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede. Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja, e, pondo-a num hissope, lha chegaram à boca. E, quando (Jesus tomou o vinagre), disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito."

Embora haja até a questão de dúvidas em certos leitores acerca da veracidade dos fatos, ou da bíblia, podemos dizer que as escrituras não estão se contradizendo. Podemos aqui utilizar-se de dois pontos de vista diferentes entre os evangelistas Mateus e Marcos, e o próprio João.

Segundo alguns dicionários bíblicos, vinagre nos evangelhos era Produto da fermentação acética do vinho. Boaz disse a Rute que se aproximasse, e molhasse o seu pão no vinagre (vinho) juntamente com os segadores (Rt 2.14). os trabalhadores da Palestina ainda molham de modo semelhante o seu pão. O Nazireu não devia beber ‘vinagre do vinho’ ou ‘vinagre de bebida forte’ (Nm 6.3), proibição esta que também foi ordenada no caso de João Batista (Lc 1.15). o vinagre que foi dado ao Salvador na cruz era a “posca”, uma bebida vulgar dos soldados romanos (Jo 19.28 a 30) – era uma espécie de vinho azedo, de pequeno preço, diluído em água. Jesus já tinha recusado a estupefaciente mistura de vinho e mirra (Mt 27.34 – Mc 15.23). ( Dicionário Bíblico )

Então entrando na questão: Jesus bebeu ou não. Se fizemos ou pudéssemos assim fazer diríamos claramente pelas provas bíblicas dos dois evangelistas que Ele não bebeu. Pois; olhando por uma ótica vemos o seguinte: Muitos arriscam dizer que JESUS fez o voto do Nazireu por causa de Mt 2:23 ...

"E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno" Mas; ao contrário de João Batista, Jesus bebia vinho (Mt 11:18-19 / Mt 26:29).

Também, por outro lado podemos dizer aqui que os Nazarenos, na época de Jesus, era quem morava em Nazaré, localizada na Galileia (Lc 1:26). Era proveniente dali, ou daquela região, não pessoas que fizeram algum voto à Deus.

Assim como os nazarenos eram pessoas um tanto quanto, desprezados, o profeta Isaías, previu que o Messias também o seria, e disse em seus escritos proféticos que seria o mais desprezado dos homens. Isaías 53.3 -  Era desprezado, e o mais indigno entre os homens, homem de dores...

Por isso, que não foi fruto do acaso, o Senhor Jesus nascer e crescer em Nazaré. Isso foi necessário para que se cumprisse a profecia.

No entanto o fato de Ele ter se recusado a beber o vinagre foi pode ter sido, para que sofresse de forma consciente por nossos pecados, segundo os evangelhos de Mateus e Marcos. Pois, também o vinagre tinha efeitos anestésicos, segundo alguns historiadores.

Mas, ao aceitar o vinagre puro dos soldados, quando pediu por água, segundo diz o apóstolo João em seu evangelho, ele estava demonstrando tanto o fato de mais uma profecia estar se cumprindo: ( na minha sede me deram a beber vinagre. Sl 69:21). Como também a maldade do ser humano com relação a sua pessoa e obra. Ao pedir aguá, eles (os que estavam em redor a sua crucificação) pensaram em aumentar sua agonia, e não em matar sua sede.

Então podemos dizer aqui que pode, não ter havido nenhuma contradição nas escrituras acerca deste assunto.

Porém deve ser bem explicado ao se utilizar destes textos em mensagens e/ou exposição das escrituras. Pois nossos ouvintes podem averiguar uma ou outra posição nas escrituras, e criar uma certa dúvida como a desta pessoa que nos enviou a pergunta.

Vinho e vinagre, em todo o contexto literário e histórico, eram a mesma coisa, inclusive o vinagre era chamado de vinho barato. Agora quando misturado ao fel, e/ou mirra, ai poderemos ver alguns exemplos abaixo. Leia e tire suas próprias conclusões.

Alguns exemplos:

Fel: No Antigo Testamento trata-se de uma planta e seus frutos, que eram excessivamente amargos (Dt 29.18 -32.32 – S169.21 – Jr 8.14 – 9.15 – 23.15 – Lm 3.5,19 – Am 6.12). A mesma palavra hebraica está traduzida em Oseias (10.4) por ‘erva venenosa’. Era uma planta de rápido crescimento, talvez a dormideira. No livro de Jó há referências à sua significação literal, como sendo o humor proveniente do fígado (Jó 16.13 – 20.14,25). A Jesus Cristo deu ‘vinho com fel’ (Mt 27.34) – era um vinho fraco, azedo, misturado com uma droga chamada ‘mirra’ (Mc 15.23), empregando-se essa bebida com o fim de produzir a estupefação nos supliciados.(Dicionário Bíblico)

Mirra: "formou parte de um estupefativo que Lhe foi oferecido no Calvário"

"O talmude dá evidência de que o incenso era misturado com vinho para diminuir a dor. A mirra é uma especiaria extraída de plantas nativas dos desertos". (O Talmude é uma coletânea de livros sagrados dos judeus, um registro das discussões rabínicas que pertencem à lei, ética, costumes e história do judaísmo.)

Seguindo estes exemplos, fica claro que mirra ou fel, os dois tinham quase o mesmo efeito.

Concluo que:

O vinagre como resposta ao pedido de água feito por Jesus foi o último ato de crueldade da humanidade, ou daqueles que a representavam, para com o Filho de Deus.

E; como se não bastasse, tal crueldade a bíblia diz que depois de morto, um soldado furou o seu lado com uma lança, mesmo sabendo que ele já estava expirado. E a bíblia diz que saiu agua e sangue de seu lado.Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. (João 19:34)

Após estas explicações, o que dizer: Existe contradição? Afinal Jesus bebeu ou não vinagre quando lhe foi oferecido.

 

Conclusão final:

Acerca destes fatos, não existe a meu ver  contradição entre estes textos.

Mateus e Marcos relatam que deram  pra Jesus antes da crucificação e Ele não bebeu.

Vinagre misturado com fel / vinho misturado com mirra.

Já João afirma, de um ponto de vista no momento da sua morte, Cristo crucificado. Ou seja, me parece que não falavam da mesma coisa;porém em momentos diferentes do sofrimento do Senhor.

Mateus, Marcos e João são unânimes em afirmar que foi dado vinagre/vinho com misturas  (Fel-Mirra) em uma esponja espetada em uma vara de hissopo (cana), e ele não quis beber.

Porém, pode diferenciar os momentos destas ocorrências. Por isso o caso de 2 evangelistas dizer que Jesus não bebeu, e outro dizer que bebeu.

A- Os evangelistas podem estar relatando o fato ocorrido antes da crucificação

1 -Mateus 27

33 E, chegando ao lugar chamado Gólgota, que se diz: Lugar da Caveira,

2 -Marcos 15

22 E levaram-no ao lugar do Gólgota, que se traduz por lugar da Caveira.

 

B- João por sua vez, pode estar fazendo o relato durante a crucificação. 

João 19:28

Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede.

 

Existe também algumas interpretações que até dizem:

O fato de Jesus ter rejeitado o vinho antes da crucificação parece estar na sua última ceia com os seus discípulos. Ali Jesus tomou o pão e o cálice, deu graças a Deus e os repartiu com os seus discípulos dizendo: Esse cálice é a nova aliança no meu sangue. Em verdade vos digo que jamais beberei do fruto da videira, até o dia em que o hei de beber de novo no reino de Deus (Mc 14.25).

Vemos porem que o evento culminante João narrou. (Está consumado). 

Acredito que fatos, são relevantes, porém a obra na cruz não pode ser negada. Espero ter trazido luz ao entendimento de nossos irmãos.

Me parece ser bem coerente esta explicação. Mas, contudo fica a critério de cada leitor fazer sua própria investigação e acertar com sua interpretação.

 

Pr. Adélcio Ferreira

 

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