Casamentos mistos e deuses estranhos

Casamentos mistos e deuses estranhos

A Base: A fonte primária sobre a qual se baseia a proibição de um judeu casar-se com não-judeu encontra-se na Torá (Devarim 7:3): "Não casarás com eles (os não-judeus, sobre quem a Torá fala nos versículos anteriores), não darás tua filha ao filho deles e não tomarás a filha deles para teu filho."

O motivo para essa proibição é claramente dita no versículo a seguir: "Porque ele afastará teu filho de Mim e eles servirão a deuses estranhos…" ("Deuses estranhos" também pode ser interpretado como significando aqueles ideais e "ismos" que não se adequam aos ditames da Torá, e perante os quais a pessoa inclina a cabeça e dedica seu coração e sua alma.)

O Talmud (Yevamot 23a) enfatiza – e Rashi cita em seu comentário sobre o versículo acima mencionado – que da expressão exata do versículo (ele – e não ela – afastará teu filho) podemos derivar duas coisas. No caso de sua filha casar-se com "o filho deles", ele terminará por afastar seus filhos (em outras palavras, seus netos, que ainda serão considerados seus filhos) do caminho da Torá. No caso de seu filho casar-se com a filhadeles, os filhos não serão mais considerados seus filhos, mas filhos dela. Não são considerados judeus.

NM 25:1-18 Castigo severo pela idolatria e casamentos mistos

Seria de esperar que, depois do resultado trágico de tantas rebeliões, o povo de Israel permanecesse fiel a Deus. Em vez disso, porém, os israelitas se rebelaram mais uma vez. A praga subsequente exterminou todos os membros da geração mais velha que ainda restavam, exceto Moisés, Josué e Calebe.

Esse capítulo apresenta duas histórias de rebelião e práticas idólatras na comunidade que, sem dúvida, foram extremamente perturbadoras, pois voltam a ser mencionadas em 31:15-16. Na primeira, homens israelitas participam de sacrifícios a um deus estrangeiro e se deitam com mulheres moabitas (25:1-5). 0 segundo relato provavelmente trata da idolatria decorrente do casamento misto entre uma mulher midianita e um homem da tribo de Simeão (25:6-15). Os casamentos mistos são condenados com severidade, pois expõem toda a comunidade de Israel à idolatria introduzida por um cônjuge estrangeiro. Os efeitos desses casamentos podem ser vistos na vida de Salomão (lRs 11:1-10) e Acabe (lRs 16:31-33).

Israel foi contaminado quando alguns homens começaram a prostituir-se com as filhas dos moabitas (25:1-2), envolvendo-se em ritos de fertilidade dedicados a deuses moabitas e, desse modo, violando o primeiro dos Dez Mandamentos, que proíbe prestar culto a qualquer outro deus (Êx 20:3; Dt 5:7).

A natureza desse pecado e o fato de ele ter se propagado no meio do povo acendeu a ira de Deus e trouxe seu castigo (25:3-4). Moisés ordenou que os juizes matassem todos os que haviam adorado ao deus Baal-Peor (25:5). Em outras ocasiões, Deus usou pragas, fogo e serpentes como instrumentos de seu castigo, mas, como esta ordem revela, em certas ocasiões ele espera que pessoas executem seus julgamentos. Assim, homens como Moisés, os juízes e os profetas são chamados por Deus a participar de seus atos de salvação e julgamento. Como povo de Deus, cabe a nós discernir a vontade de Deus em determinada situação e responder de forma adequada.

O segundo episódio de rebelião é o adultério entre Coz-bi, uma mulher midianita, e Zinri, filho de Saiu, um israelita (25:6,14-15). A reação enérgica de Fineias, filho de Eleazar, o filho de Arão, que se encontrava na linha de sucessão para o cargo de sumo sacerdote, sugere que essa relação estava introduzindo a idolatria em Israel. Fineias matou Zinri enquanto o israelita estava tendo relações com a mulher: pegando uma lança [...] os atravessou, ao homem israelita e à mulher, a ambos pelo ventre (25:7-8a). Seu ato apaziguou Deus, e a praga que ele havia enviado sobre os israelitas por causa de seu pecado cessou (25:8&).

Vinte e quatro mil pessoas morreram antes que esse ato de Fineias fizesse cessar a praga (25:9); contudo, ainda mais israelitas teriam morrido se ele não houvesse tomado uma atitude. Provavelmente, os indivíduos mortos eram o restante da geração mais velha. A severidade do castigo mostra que Deus nunca permite ao seu povo abrigar o pecado em seu meio. 0 Senhor sancionou a execução pública dos transgressores para enfatizar sua mensagem acerca da seriedade do pecado e a importância da pureza. Assim, o castigo serviria de aviso para que outros não cometessem a mesma transgressão.

O ato de Fineias não apenas afastou a ira de Deus, como também consolidou a posição da casa de Arão, pois Deus fez uma aliança com Fineias prometendo que ele e seus descendentes seriam sempre sacerdotes (25:10-13a). O autor informa, ainda, que Fineias fez expiação pelos filhos de Israel (25:13ô) ao tratar do pecado e, desse modo, salvar o povo.

Pode-se observar paralelos entre o castigo pelo pecado descrito aqui e as práticas de alguns povos no leste da África. 0 povo meru da Tanzânia, por exemplo, costumava matar quem cometesse adultério, levando os transgressores até uma encruzilhada e fincando-os no chão com uma estaca. A intenção era provocar uma morte lenta para que todos na comunidade tivessem tempo de ver a desgraça desses indivíduos e temer o castigo. O povo meru acreditava que esse castigo severo removia do seu meio a maldição e vergonha do pecado. Na Sharia (lei associada ao islamismo), a pena por adultério, aplicada especialmente às mulheres, ainda é a morte.

Esse tipo de castigo era apropriado numa comunidade que devia viver de acordo com as leis e prescrições estabelecidas como parte da aliança. Contudo, a vinda de Jesus e sua proclamação do evangelho ampliaram nossa visão do pecado e também da graça e do amor de Deus. Embora a igreja enfatize a pureza em todos os aspectos da vida e, por certo, não aprove nem incentive o adultério, bem como qualquer outro ato pecaminoso, ela ensina que todos nós somos pecadores e devemos deixar que Deus julgue os outros. Cabe a nós apenas exortar, repreender, corrigir, ensinar, orientar e perdoar como Cristo perdoa todos nós.

As últimas palavras acerca dos midianitas, Eles vos afligiram a vós outros quando vos enganaram (25:16-18), ajudam a entender a vingança posterior contra eles (Nm 31:1-12). Nessa ocasião, Deus ordena que os midianitas sejam exterminados por haverem conduzido Israel à idolatria. Esse episódio com a mulher midianita também explica a ira de Moisés quando o povo de Israel poupou a vida das mulheres de Midiã (Nm 31:15-18).

Tiramos aqui uma lição. Deus não se agrada de adoração mista. Pleo contrario aqueles que a ele se dedicam a servir, não podem servir a nenhum outro Deus.

Deus abençoe sua vida em nome de Jesus.

Pr. Adélcio Ferreira

Fonte: Números 25 — Análise Bíblica

(Comentários Bíblicos)

Panorama do Antigo Testamento - Estudos Bíblicos - Enciclopédia Bíblica Online

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